Vertigem.
Eu nunca mais vou ter quinze anos na vida. Isso não é ruim a ponto de ser um bom motivo pra cometer suicídio. Mas é no mínimo chato. Vamos esquecer aquele papinho sobre baile de debutante ou meu primeiro sutiã em propaganda de televisão. Estamos falando do novo século, meu bem. A naftalina do mundo clama por outras saudades, urgente. Então. Não vai ter mais aquele draminha por ter bebido na casa da melhor amiga com medo de ser pega, não vai ter aquela expectativa idiota com relação a ficar com garotos. Nunca mais vou matar aula e ir pro shopping com os guris pra comer batata frita e beber clandestinamente (?) às dez da manhã. Nunca mais vou sentir o gosto de levar um ‘não’ na cara pela primeira vez. E misturar vinho, vodca e tequila não é mais a mesma coisa. Ficou batido, sabe. E comentar que o cara que você beijou na noite passada tentou ‘pegar na sua bunda’ não cabe mais. [ah, ao menos isso!] Nunca mais vou tomar milhares de remédios pra tornar branda uma dor que, hoje eu vejo, nem existia. Agora que ela realmente existe, não tenho dinheiros sobrando pra isso. É, o tempo não pára. Antigamente eu achava que minha vida teria a incrível duração de hoje até amanhã. Poderia ir pra aula com cabelo bagunçado ou usar tênis sem que fizesse alguma diferença. Hoje não dá. Saudade do meu casaco da Fucapi. Saudade de não precisar usar salto e dar ‘bom dia’ pra (quase) todo mundo. Não ando pensando em começar a fazer meu testamento ou coisa assim. Nem ao menos cheguei aos sessenta e quatro. E, ah, quando eu tiver… os Beatles que o digam. Sei que nostalgia anda bem démodé, mas não estou falando sobre os anos oitenta. Esquece seu Pogobol laranja e sua Lu Patinadora. Guarda essas lembranças pra alguma comunidade cretina do Orkut. O assunto aqui é outro. Eu tenho dezoito anos. Não acredito em melhores dias de nossas vidas. Não acredito em amores para sempre. Não acredito em finais felizes. [inserir reticências e um vazio inacabável aqui.] Agora, por favor, alguém aí me diz: quando foi que eu virei essa velha?
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