segunda-feira, 27 de abril de 2009

dezoito dias.

Era apenas uma garota como todas as garotas. Tentando sufocar lá dentro uma Mayara, não queria, aos 16 anos, ainda esperar do seu-dia-que-dia-mais-feliz que chegaria em poucas horas, algo de surpreendente, de novo, de assim tão, tão especial. Mas esperava. Paciência. Mais do que isso, esperava que os quilômetros de estrada não estivessem em lugar nenhum no dia seguinte, que todas as cidades fossem uma só, que todas as ruas fossem a dela, que as pessoas estivessem um pouco mais próximas e o cara ali ao lado fosse ele. Esperava congratulações, desejos de felicidade. Mas esperava mais: beijos, abraços, declarações… Seu pacote amarelo com laço de fita vermelha era ele – e talvez algumas promessas de coisas pra sempre, por que não? Nenhum presente seria melhor, seria maior do que a presença da claridade daqueles olhos, da vida que existia naquelas risadas… Ninguém sabe por ter conversado com pessoas por redes virtuais, ou por ter decidido que faria isso e pronto, ele resolveu tomar um banho, tomar coragem e tomar um ônibus. Iria até ela de qualquer maneira. Faria uma surpresa. Não de aniversário – não gostava disso – mas no dia do aniversário, porque ouviu certa vez que as mocinhas, em geral, esperam grandes coisas nesses dias, ainda que disfarcem. Juntou umas músicas, escreveu umas palavras, ensaiou frases secretamente em frente ao espelho. Despertador tocando, ela acordou. Estava igual. Tudo exatamente igual ao dia anterior. Mas ainda tinha uma porção de horas pra fazer de conta que não esperava por grandes emoções. Seguiu a vida. Foi mais tarde, quando ela já estava na escola, perdida em seus afazeres de todos os dias e cansada de ouvir parabéns e desejos furados de coisas boas, que ele chegou. Sem maiores dificuldades foi a casa dela. Entrou sem chamar muita atenção, o que era um bocado novo, em se tratando dele. Nem perguntas, nem vizinhos, nem cachorros, nada. Tudo estava parecendo tão fácil. Ele sorriu. Na prateleira, deixou as músicas, as margaridas, as palavras. Ela saberia que o presente era dele, ah! certamente. Só de ouvir os primeiro acordes gravados, ela saberia. Ficou parado ali, observando e imaginando a reação dela quando chegasse. Deu uma espiada no relógio, não faltava muito. Saiu. Para esperá-la em outro lugar. Seria bom vê-la de verdade e não só em seus sonhos. Decepcionada que estava com o dia acabando sem nada de extraordinário, ela entrou em casa sem reparar na porta só encostada. O sorriso ao deparar-se com a surpresa ali na cômoda ao lado do computador, era meio de alegria, meio de susto. Flores. CD. Envelope. Quem? Palavras bonitas. Um encontro. Quem? Não havia nenhuma assinatura. Sua vontade de que fosse ele quase a fez acreditar nisso. Não, não… tentou ser realista e pensar direito. Ele não teria entrado em sua casa, deixado aquilo tudo. Ele não estaria esperando por ela como dizia o bilhete. Deveria estar lá, tanto asfalto longe dela, fazendo qualquer coisa que se faz num fim de dia. Ele não entendia por que ela não aparecia. Esperar era tão ruim. Tentou imaginar qual o caminho que ela faria até ali, para poder segui-lo ao contrário até a casa dela. Ela finalmente cansou de esperar por bobagens. É, estava cansada dessas meninices de grandes surpresas, grandes presentes, grandes acontecimentos. Era só mais um dia. Pensou que nenhum presente seria como ele ali. Mas ele não estava presente. E então um barulho lá na frente a tirou da melancolia. Foi lá na frente. Mas o sorriso que veio depois, iluminou qualquer coisa que precisasse ver. - Desculpe não avisar que viria. Presente. Ele presente.

Escrito em maio de 2008.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

intrínseca felicidade.


Boa parte da minha intrínseca felicidade não se deve a mais ninguém além de mim mesma. Estive pensando, se você quer sua felicidade interior comece por onde acha que deve merecer atenção àquelas pequenas coisas que fazem a total diferença. Certa disso, me vi novamente na minha primeira semana de provas, eu sabia que não ia me dar bem se não estudasse demasiadamente mais que os demais, e então comecei a longa jornada. Comecei a estudar a matéria na qual tem se revoltado contra mim desde o primeiro ano. Por duas vezes a Física tem tentado me passar uma rasteira, aconteceu uma vez no 1º ano quando - sem querer querendo – não estudei o assunto teórico da coisa, talvez fosse pelo fato de não estar muito interessada em Física 1, sim no 1º ano eu tinha Física 1 e 3 , mas a Física 3 era fácil, era prática, eu sabia como calcular um resistor medido através de amperímetro, e sabia a tabela do código de cores, era mais flexível. Mas Física 1 não me entrava na cabeça – hoje vejo que é a mesma coisa que regra de três – eu até tentava, mas não conseguia, por fim fiz a prova e a única coisa que consegui transcrever foi um barquinho, uma minúscula circunferência e uma maçã, que tinha numa régua que levei quando fui fazer a prova, mas fora disso nada, nada realmente além do meu zero na média bimestral. Mas no 2º bimestre me sai bem melhor, estudando é claro, e no final do ano eu só precisava tirar um 10,0 bem lindo na recuperação final. E olha que me sai bem na prova. No ano seguinte lá estava ela com toda aquela história de dilatação linear, e aquela história de óptica, espelhos côncavos e convexos, querendo mais uma vez me passar uma rasteira, consegui uma nota boa pra não ir de jeito nenhum pra recuperação. E dessa vez, pela primeira vez, eu consegui passá-la sem nem se quer tocar um dedinho nela - seria um ato de covardia – estudei e estudei, 4 dias seguidos, durante 4 horas por dia, e eu sei que a minha nota poderia ter sido a melhor das melhores, se eu tivesse estudado um pouco mais, mas eu penso que se eu tivesse tirado 10,0 meu ego subiria a cabeça, iria [querendo ou não] deixar o orgulho e a soberba entrar pelas minhas entranhas, e ambos juntos não são nada bons. Consegui ser melhor pela primeira vez em Física, consegui dar a volta por cima, depois de 2 anos e quer saber ainda pretendo cursar faculdade de Física antes de morrer em uma dessas ‘faculdadezinhas’ Federal. Esperem. Temos o segundo objeto de estudo chamado Matemática. Sinceramente temos algo em comum - na verdade acho que todos tem algo em comum com ela – temos problemas. Mas fora isso tudo bem, precisamos só aplicar aquelas coisas bestas que aprendemos há tempos na nova teoria e assim por diante. No entanto lá estava eu com a minha cabeça completamente cheia dos problemas que não eram meus, mas que indiretamente me atingiam. E juro que eu tentava, mas não conseguia me concentrar. Então tive que trazer os problemas que já estavam na minha cabeça somados aos problemas de matemática pro seu lugar de origem, isso fica uma equação perfeita não? Tive que resolver tudo isso em casa, estudei 2 dias durante as tardes e as madrugadas, e a madrugada que antecipava a prova praticamente não dormi. Tudo bem a minha nota não foi a melhor, mas sinceramente Deus existe e ele escreve certo por linhas tortas, e eu tirei uma nota parcial que somado à nota final resultou em uma boa média. Chegando à minha querida e amada química, sinto em informa-lhes que eu e ela ficamos nesse vai-e-vem já há algum tempo, ela sempre me dá um não, mas no final ela muda de idéia e me dá um sim, isso já aconteceu devido as duas vezes que fiquei de recuperação. Mas desta vez, eu é que não fui legal com ela, não teve jeito, não estudei portanto não tive uma boa nota, quem disse? Minha nota pode não ter sido a melhor, mas dei um tapa em todas as vezes que estudei e não sai bem. Quanto as minhas outras amigas Biologia e Língua Portuguesa essas fiquei relaxada, pelo menos eu sei explicar o ciclo do carbono e quem foi Fernando Pessoa, respectivamente. E depois dessa tal semanazinha de provas que passei fui comemorar, aprendi até a dançar, coisa que verdadeiramente eu não esperava, e o que não esperava também era o fato de quem me ensinou a dançar, mas isso fica em off. É claro ele é lindo, alto, charmoso e exclusivo, me tratou muito bem a noite toda, isso elevou ainda mais a minha felicidade. Nos dias que seguiram fui hospedar-me na casa da violinista e sempre que vou lá meus sonhos aumentam, posso tocar um pedacinho do céu. Pensando bem em tudo que escrevi, acho que já está na hora de dar um tempinho e ir estudar química com a Déh, porque é a melhor coisa que faço nesse momento enriquecer o meu ego [que sufocante]. E não esquecendo que a felicidade é você quem faz, mesmo que você ache que perdeu algo na sua vida Deus dá a você - cedo ou tarde – motivos ainda maiores pra sorrir, e você tem que saber que a vida de vez em quando tem essas pegadinhas que te fazem chorar, mas que depois você solta gargalhadas porque tem a certeza que a felicidade está esperando você ali,  ao lado. É só você fazer por onde merecer.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

saída de mestre.

"Faça uma lista de grandes amigos. Quem você mais via há dez anos atrás, quantos você ainda vê todo dia, quantos você já não encontra mais. Faça uma lista dos sonhos que tinha, quantos você já desistiu de sonhar! Quantos amores jurados pra sempre, quantos você conseguiu preservar. Onde você ainda se reconhece na foto passada ou no espelho de agora. Hoje é do jeito que achou que seria? Quantos amigos você jogou fora, quantos mistérios que você sondava, quantos você conseguiu entender, quantos segredos que você guardava, hoje são bobos ninguém quer saber. Quantas mentiras você condenava, quantas você teve que cometer, quantos defeitos sanados com o tempo, eram o melhor que havia em você. Quantas canções que você não cantava, hoje assobia pra sobreviver  Quantas pessoas que você amava, hoje acredita que amam você. Faça uma lista de grandes amigos. Quem você mais via há dez anos atrás, quantos você ainda vê todo dia, quantos você já não encontra mais, quantos segredos que você guardava, hoje são bobos ninguém quer saber. Quantas pessoas que você amava hoje acredita que amam você."
A lista - Oswaldo Montenegro

Hoje é um dia que divide a metade de dois rumos, o passado e o futuro. Lembro que há um mês atrás eles iam ao cinema juntos como enamorados, ele deixou saudades nela, creio que ela também deve ter deixado uma pequena porcentagem de saudade. Foi o último dia juntos, estavam cientes de que tinham que dar um tempo, ou quem sabe se deixar um do outro de uma vez por todas. O fato só viera a tona mais tarde, as perguntas na cabeça dela eram mútuas, depois de um tempo ela achava que não tinha significado muita coisa pra ele, primeiro porque os gestos traduziam tudo isso, ele a queria apenas quando precisava, e ela aprendeu que as coisas na vida não funcionam assim, ninguém vive de verdade quando apenas sobrevive, é preciso viver, é preciso respirar. E sobreviver - apenas sobreviver - não é vida, é desumano, é como ter pernas e não poder andar. Houve um momento em que ela achou que seria dificil olhar a cama vazia, o lado direito da cama onde ele costumava dormir estava vazio, as fotografias que ela não via mais. Porém ela mudou seu foco, voltou-se para o lado real da vida, saiu das migalhas da paixão e passou a viver a realidade da física, a sintonia da química, a paixonite aguda que tinha por biologia, as desaversas que tinha com a matemática, sem esquecer da sua amada língua portuguesa. Os estudos tinham se tornado o alvo mais forte, algo que ela tinha certeza que nunca se voltaria contra ela, seus amigos eram a sua melhor diversão, e Deus sempre estava com ela, essa é a mais forte convicção da vida. E essa tal de paciência, é preciso ser paciente pra esperar uma criança nascer, mais paciente ainda pra ela crescer e se tornar alguém na vida - ou ninguém. A paciência trabalha contra o desânimo e a ansiedade, e ela esteve esperando tanto pra completar sua maioridade que chegou, falta apenas um mês, e ela nem está com todas essas espectativas, nem ao menos quer comemorar esse dia, mas de uma coisa ela tem certeza: antes desse dia chegar ela quer fazer um pouco de tudo que está em sua lista de 'antes de completar os 18', e são os mínimos detalhes que fazem a diferença, não adianta ter uma boa entrada se a saída não for melhor ainda. E ela quer ter essa tal saída de mestre que nem a última que teve há um mês atrás.
Quem espera pacientemente n'Ele nunca se arrependerá,
e a minha saída de mestre eu vou ter de novo, podem pagar pra ver.

terça-feira, 14 de abril de 2009

"Muitas vezes a nossa vida se compara à de uma árvore. Assim como a árvore, nós também vivemos diferentes estações. Não há como fugir delas. O inverno talvez seja a estação mais triste. As folhas começaram a muchar até caírem completamente. As flores já não existem mais; os frutos desaparecem. O que resta, para quem observa a pobre árvore, são os galhos retorcidos que, uma vez expostos, revelam as imperfeições antes escondidas pela beleza superficial. Mas não devemos nos enganar: aquilo que aparece estar matando a árvore na verdade é essencial para sua sobrevivência. Ainda que o inverno esteja rigoroso, seco, sem cor ou perfume, a árvore não está morta. A vida ainda está dentro dela. As forças antes usadas para embelezar a árvore, agora são gastas para fazê-la crescer, onde ninguém vê, aprofundando suas raízes. Dizem ainda que em muitos lugares onde não há inverno as árvores não produzem frutos.
E assim também acontece conosco. Muitas vezes Deus nos guia até o deserto para ali nos revelar o nosso próprio coração. Toda a beleza superficial desaparece e passamos a enxergar as nossas próprias falhas e limitações. Nossa justiça própria se revela como um 'trapo de imundície' e nós murchamos como as folhas de uma árvore que seca. As circunstâncias que não podemos mudar e os sonhos que parecem não se realizar nos levam a um estado de desconsolo e desesperança semelhante ao de uma árvore no inverno, adoecendo o nosso coração.
Muitos se perdem exatamente aí, no inverno de suas vidas. Mas em vez disso, podemos nos render ao processo divino de fazer morrer o que é superficial e ganhar vida no interior. São mudanças de valores que fazem parte do nosso crescimento espiritual. O inverno é uma oportunidade de conhecermos a nós mesmos e de sermos transformados à medida em que conhecemos a Deus intimamente. É no inverno da alma que podemos aprender a dependência total para com o Senhor e a desfrutar o descanso em sua soberana vontade. É na morte do "eu" que renascemos para uma nova vida: aquela que Deus tem para nós. É na falência de nossas próprias tentativas que passamos a experimentar o braço do Senhor em nosso lugar. É quando não podemos mais seguir adiante que Deus nos carrega em seu colo paterno e, então podemos chegar onde devemos ir. É nossa limitação que experimentamos o poder de Deus se aperfeiçoando em nossa fraqueza. É assim que trocamos os trapos da nossa justiça própria pela obra perfeita e graciosa de Cristo na cruz.
Durante o inverno, podemos simplesmente nos render e adorar. É verdade que às vezes nos debatemos, mas quando enfim nos rendemos, entramos como que em um estado de hibernação, onde "dormimos" interiormente.
Nossos sonhos, projetos, as promessas de Deus para nós parecem estar em um "estado de espera". E realmente estão, elas não morreram. As palavras de vida, proclamadas por Deus a nosso respeito, estão dentro de nós, aguardando o tempo oportuno. E enquanto descansamos no Senhor, ele trabalha pra cumprir cada uma de suas palavras.
Durante o inverno tudo o que podemos fazer é esperar, é ter a esperança da próxima estação. E quando a primavera chegar, aquela pobre e sofrida árvore sofrerá uma maior transformação! As águas irão regá-la novamente, e ela voltará a dar flores, frutos, e suas folhas verdes serão mais bonitas do que nunca! Creia: a primavera vai chegar! E aquilo que você tanto espera deixará de ser esperança, pois você tocará as flores, comerá os frutos e viverá o cumprimento das promessas! Assim como a noite escura passa e a alegria vem com o amanhecer, em breve a luz do Senhor vai acender o seu coração adormecido."
"Quero trazer a memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não tem fim; renova-me cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei nele. Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca. Bom é aguardar a salvação do Senhor, e isso em silêncio." (Lm 3.21-26.)

domingo, 12 de abril de 2009

Um quê de despedida (...)

Uma música de pagode qualquer toca dentro do quarto e os quatro estão juntos novamente - não como antes, porém juntos. Eles jogam vídeo-game, uma delas usa o computer, enquanto outra escreve.
Um relação meio engraçada, sabe?! Não tem como explicar. Sabe-se que agora é cada um por si, mas quando estão juntos tornam-se um só.
Eles olham-se, deitados na cama. Fato: eles se amam, independente do modo, mas se amam. Não tem como negar... cada um deles está na vida de cada um pra sempre. Não adianta querer mudar isso, ninguém, nem novas pessoas que aparecerem em nossas vidas, vai substituir isso que cada um de nós guarda um do outro no coração. Pois não existe amizade sem amor, e nem amor sem amizade. É recíproco, é fato, é certo e é pra sempre, disso todos os quatro podem ter certeza.
Ame não importa de qual modo, mas ame. Essa pode ser a nossa última noite juntos, porque nem mesmo eu sei se ainda vou continuar a ir vê-los, um dia eu sei que todos vamos embora,  comecei a me costumar com a ideia de que nunca ninguém fica conosco pra sempre, a não ser aqueles que estarão sempre em nosso coração, morando em nossa alma. SEMPRE.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A vontade de registrar algo era tão grande que não pude deixar de evitar. [...]
Sinceramente, não tenho palavras para descrever como tenho me sentido ultimamente - sim, estou muito feliz não posso deixar de negar, mas tem algo em mim que está ausente demais, inacabavél demais e eu sinto falta demais. Não sei exatamente do que sinto falta, e isso me deixa confusa demais.
Quem sabe hoje me desembaraçe desse meu 'eu' tão confuso, ou talvez não.
Pela primeira vez todos os 4 estão saindo como amigos de verdade, cada um por si, e todos por um. Porque não existe amizade sem amor, e nem amor sem amizade. E dessa regra não podemos fugir [nem se quisermos]. Porque se não aprendemos com o amor, aprendemos com a dor, e eu prefiro ficar com a primeira opção.
Enfim, hoje eu não espero muito, nem de mim mesma, vou assistir ao filme como uma criança feliz que vai ao cinema pela primeira vez, é só isso.

domingo, 5 de abril de 2009

Pequenas coisas.



Há alguns dias atrás tudo estava tão difícil para mim. Existindo apenas um probleminha que diretamente me afetava e que tocava na ferida, existem aqueles que não são seus, mas você sabe que querendo ou não irão te afetar.
Os dias passavam e eu não via uma luz, o fato de chorar não resolvia mais nada, mas de uma coisa eu tive certeza: eu nunca o quis [tanto] perto de mim, como durante esses dias que passaram. Os dias passavam devagar, pareciam anos, eu não poderia aguentar a ideia de que não estávamos nos falando, ou tendo algum diálogo em que ele pudesse me ouvir. Era duro pra mim [ainda continua sendo].
Mas como eu sempre digo "Deus escreve certo por linhas certas", Ele não só escreveu, mas como desenhou e pintou os meus dias seguidos. Eis que me encontro feliz da vida. E sempre esquecendo de agradecer a Ele por esses momentos únicos que passei durante esses dias. Ele planejou todos os meus dias ruins pra que eu os vencesse, e tivesse em seguida dias únicos e maravilhosos ao lado de pessoas que me façam feliz realmente e que sempre estejam a me alertar sobre como agir com as circunstâncias da vida. AAH! E outro ocorrido é que as coisas mínimas é que fazem a total diferença. Talvez alguém entenda realmente o que estou querendo dizer...
"O filme era engraçado, eles riam demais, ele abraçava a flor de pelúcia que ela trouxera pra ele, estava frio, apesar dos desfechos da vida dela, ainda assim ela estava feliz, ele trazia companheirismo e alegria, ela estava certa de não era a toa que um dia estava sem nexo e foi perdida no mesmo nexo que o encontrou, havia mais alguém em que ela podia contar, e indiretamente ele também estava ligado aquele outro."
"O som do violino estava longe dali, ela estava deitada na rede da varanda, lendo o seu melhor livro, e ao seu lado a cadelinha deitada fazia companhia enquanto ela esperava a amiga terminar de orientar o seu pequeno aluno. Mais tarde a amiga tocava pra ela, tocava uma música linda, que se estivesse sendo orquestrada estaria mais linda ainda. Estava ficando noite e elas tinham esquecido a importante idéia de terminar de estudar química."
"Lenta demais a internet estava, e o escritório estava frio, lá estavam as duas juntas mais uma vez. Certamente uma das duas teve a idéia de ligar para o amigo, e eis que vem a notícia que iriam vê-los logo porque três deles estavam indo a casa dela. Isso deixou ambas contente demais, quando eles chegaram foi só alegria e festa, até as nove e meia."
"O ambiente não era nada do que ela estava acostumada, tudo parecia morto demais, chato demais, as músicas eram cantadas com aquele quê de 'ai estou sozinha sem ele', mas ainda assim ela soube aproveitar ao lado do amigo, e ela percebeu que nada naquele ambiente conseguiu fazer com que ela lembrasse dele, aquelas músicas não tinham nada haver com ela, e consequentemente nada a ver com ele também, ... e ela aproveitou a noite toda consigo."
"Eram 8:41 ela havia acordado na esperança de que a amiga tivesse chegado, foi um dos seus dias mais felizes, ela veria a sua companheira novamente. O dia todo juntas, foram 'a praia', riram juntas, e naquela imensidão ela sabia que estava feliz de verdade. A noite foi mais um presente, juntamente com as outras amigas. Agora de fato ela realmente estava feliz."
A felicidade está nas pequenas coisas: em uma música criada do nada, em uma palavra engraçada, em alguém que faz uma careta e nas boas e longas conversas. A felicidade está dentro de quem quer ser feliz, basta apenas querer.